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Jovens e Apostas Online em Portugal: Dados, Riscos e Prevenção

Sala de aula com cartaz de sensibilização sobre jogo responsável afixado na parede

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O Acesso dos Jovens ao Jogo Online em Portugal

Há dados que, quando os leio pela primeira vez, me obrigam a parar e reler. Este é um deles: 18% dos jovens entre 13 e 18 anos em Portugal jogaram a dinheiro no último ano. Não estamos a falar de jovens adultos que tomaram uma decisão informada. Estamos a falar de adolescentes, alguns com 13 anos, que tiveram acesso a atividades de jogo a dinheiro — lotarias, apostas desportivas, jogos de cartas e dados.

Este dado do SICAD não pode ser contextualizado de forma confortável. Num país onde a idade legal para apostar é 18 anos, um em cada cinco adolescentes já teve experiência com jogo a dinheiro. O sistema regulatório — com as suas verificações de identidade, os seus limites de idade e as suas ferramentas de proteção — foi desenhado para impedir exatamente isto. E, evidentemente, não está a conseguir.

Dados Sobre o Jogo em Menores de Idade

Os 18% do estudo do SICAD são a ponta do iceberg. Para perceber a dimensão do problema, é preciso olhar para o contexto demográfico mais amplo.

O grupo etário 18-24 anos é o segmento com maior crescimento de novos registos em plataformas de jogo online. O grupo 25-34 anos é o mais ativo, representando 33,5% dos utilizadores. Estes dados sugerem uma trajetória clara: muitos dos jogadores que hoje constituem a base mais ativa do mercado começaram a interessar-se pelo jogo antes dos 18 anos e formalizaram a atividade assim que puderam legalmente fazê-lo.

A exposição precoce ao jogo tem consequências documentadas pela investigação em saúde pública. Quanto mais cedo começa a exposição, maior o risco de desenvolvimento de comportamentos problemáticos na idade adulta. Não é uma relação de causa e efeito automática — nem todos os jovens que jogam aos 15 se tornam jogadores problemáticos — mas a probabilidade aumenta significativamente.

Os tipos de jogo mais acessíveis aos menores variam. As lotarias e raspadinhas são os mais comuns, pela facilidade de acesso em pontos de venda físicos onde a verificação de idade pode ser menos rigorosa. As apostas desportivas online são o segundo canal, através de plataformas ilegais onde a verificação de idade é inexistente ou facilmente contornável. Os jogos de cartas e dados — muitas vezes em contextos sociais ou em plataformas de gaming que incorporam mecânicas de apostas — completam o quadro.

Canais de Acesso: Redes Sociais e Influencers

Se a pergunta é “como é que jovens de 13-18 anos acedem a atividades de jogo a dinheiro”, a resposta, na esmagadora maioria dos casos, passa pelo telemóvel e pelas redes sociais.

Isabel Mendes Lopes descreveu o problema de forma precisa no parlamento: o jogo online é uma dependência muito invisível porque acontece no telemóvel, no computador, quando ninguém percebe que está a ter lugar. Para os jovens, esta invisibilidade é ainda mais pronunciada — o telemóvel é um espaço privado que os pais raramente monitorizam com o detalhe necessário para detetar atividade de jogo.

Os influencers são o vetor de promoção mais eficaz junto deste público. Os dados europeus mostram que 92% do conteúdo de jogo online visto por cidadãos da UE promovia operadores ilegais. Para os jovens, cujo consumo de media é maioritariamente digital e baseado em figuras de referência das redes sociais, a exposição a este conteúdo é desproporcionalmente elevada.

O mecanismo é simples e perverso. O jovem segue um influencer no Instagram ou no TikTok. O influencer publica conteúdo sobre apostas — “ganhei 500 euros neste jogo”, “usa o meu código para um bónus” — com links para plataformas ilegais. O jovem, motivado pela admiração pelo influencer e pela perspetiva de lucro fácil, regista-se com dados falsos ou de terceiros. A plataforma ilegal, sem obrigação de verificar a idade, aceita o registo. O ciclo começa.

O que torna este canal particularmente difícil de combater é a sua informalidade. Não é publicidade convencional regulada por lei — é conteúdo partilhado numa rede social, muitas vezes sem identificação como publicidade paga, e que chega a milhares de jovens antes que qualquer autoridade possa intervir.

Medidas de Prevenção e Verificação de Idade

As medidas de prevenção existentes operam em três níveis, e nenhum deles é, por si só, suficiente.

O primeiro nível é o regulatório. Todos os operadores licenciados pelo SRIJ são obrigados a verificar a idade dos jogadores no processo de registo, através do Cartão de Cidadão ou passaporte. O sistema funciona razoavelmente bem para os operadores legais — é muito difícil para um menor registar-se com documentação falsa numa plataforma que faz verificação KYC a sério. O problema é que os operadores ilegais não fazem esta verificação, ou fazem-na de forma puramente cosmética.

O segundo nível é o tecnológico. Os bloqueios de sites ilegais pelo SRIJ limitam parcialmente o acesso, mas são facilmente contornáveis com VPNs ou com a simples utilização de novos domínios. O controlo parental nos dispositivos é uma ferramenta disponível mas subutilizada — muitos pais desconhecem que podem restringir o acesso a categorias de sites, incluindo jogo online, nos telemóveis dos filhos.

O terceiro nível é o educativo. Programas de literacia sobre jogo — que ensinem os jovens a perceber as probabilidades, a reconhecer a publicidade disfarçada e a identificar sinais de risco — são, na minha opinião, o investimento com maior retorno a longo prazo. Mas são também os menos desenvolvidos em Portugal. O SICAD tem iniciativas nesta área, mas a sua penetração no sistema escolar é limitada.

Há um quarto nível que raramente é discutido: o papel dos pais e educadores. Numa altura em que 77,8% dos jogadores ativos têm menos de 45 anos, muitos pais de adolescentes são eles próprios apostadores — o que pode criar uma normalização familiar do jogo que dificulta a transmissão de mensagens de precaução. Ferramentas de controlo parental nos dispositivos, conversas abertas sobre o funcionamento das probabilidades e a monitorização das apps instaladas no telemóvel são passos concretos que qualquer família pode tomar.

A realidade é que nenhuma medida isolada resolve o problema. A verificação de idade funciona no mercado legal mas não no ilegal. O bloqueio de sites funciona temporariamente mas é contornável. A educação funciona a longo prazo mas é lenta. A solução requer uma abordagem integrada que combine os três níveis — e que, crucialmente, envolva as plataformas digitais onde a promoção acontece. Para uma visão mais ampla das proteções que o mercado regulado oferece, o guia das casas de apostas legais em Portugal detalha o enquadramento regulatório.

Veja também: Consulta casas de apostas online portugal para jogo seguro. Conhece a autoexclusão em apostas em Portugal.

Dúvidas Sobre Menores e Apostas

A partir de que idade se pode apostar online em Portugal?

A idade legal para apostar online em Portugal é 18 anos. Todos os operadores licenciados pelo SRIJ são obrigados a verificar a idade do jogador no processo de registo, através da validação do Cartão de Cidadão ou passaporte. Menores de 18 anos não podem legalmente registar-se, depositar fundos ou colocar apostas em plataformas reguladas.

Como verificam os operadores a idade do jogador?

Os operadores licenciados verificam a idade através do processo KYC (Know Your Customer), que exige a submissão de documentos de identidade — Cartão de Cidadão ou passaporte — durante o registo. A verificação é feita digitalmente, cruzando os dados fornecidos com as informações do documento. Alguns operadores permitem registo inicial com dados básicos mas exigem verificação completa antes do primeiro levantamento. Os operadores ilegais não realizam esta verificação de forma rigorosa, o que permite o acesso de menores.